terça-feira, 21 de agosto de 2007

Entrevista a um cangaceiro morto em combate.

Inscute aqui seu cabrunquento fedeno a inxofre, ocê assunta como fala mais eu, seu fi duma galinha preta desdonzelada no subaco dum istoporado, num vá pensano ocê que eu sô cabra prá tê medo di capeta não. Inda onte eu soube de iscuitá as prosa desses disalumiado qui veve aqui, qui meu Capitão andô pelos lado de cá e tascô bala, peda, cacete, faca no bucho di ocês tudo aí. Apois se ocês é os cão da disgraça, eu sô cabra de Lampião e mermo dispois de morto, prá num ficá mofino, nóis vai azucriná inté a mãe do Satanás. Quem escapô de morrê dos ferro do Capitão, Capitão de patente mermo, da letra do Padim Padre Ciço Rumão Batista qui assinô os papé – num faiz essa cara não ô fedô de ovo goro, obra de jegue véi, apois eu falo do meu Padim e num dianta fazê cara feia do cão apois o cão eu sei que tu já é, e fei, nem falá é bom; já chega minha cara cum esse nariz amassado, intronchado di coice di jumenta. Apois eu quano era um malunguin, num tinha di cumê in casa, intão mãe mandô eu mamá na jumenta preta parida prá matá a fome, e ela avexada qui eu tava robano o leite do fi dela, o jeguim Cambito, me deu um coice na venta e pisô na minha mão. Dispois a suçarana cumeu Cambito e nóis matamo a jumenta já véia e sem serventia prá guentá cangaia, prá cumê carne di sertão. É pur isso qui eu digo sempre; num se deve juntá cangaia aos pesares.
Assunta qui eu tava falano que si num morri da zanga de Lampião in dia de intêrro de famia, antão num vô tê medo dessas fuça sortando fumaça fedeno a bufa. É isso mermo seu cabra. Eu tô arreliado. Tá veno essa broca ni meus petcho? Bala de macaco, um tar de Mané Véi se aproveitano da jura dos ôtro. Apois, lá no Angico, chuveu bala prá lascá o couro, e passava azuano os ouvido fazeno “zuim; zuim”. Eu ia butá o pé no mundo quano Dona Maria de Déa gritô, antão eu se alembrei e vortei prá frente do Capitão qui já tava caído, todo rombado de bala, dei dois pá de tiro e aquele macaco da cara da peste destampou-le a clavinota nim eu. Mandô os pudê da morte nim minha pisada. Morri mas cumpri o prometido ao Capitão, di morrê nu dia qui ele morresse, por lembrança de Dona Maria. Foi pruquê eu matei de sucesso o cumpade Antoin Ferreira, irmão de Lampião. Inté hoje eu tô discunfiado que era um de ocês que tava dento da coronha de meu fuzi e destravô a pustema da aguia e disparou a bala, tumem nos petcho dele. Num ri não viado! Respetxa o sintimento dos cristão. Se o Capitão num mi matô, tu fecha a cara! Óia qui eu lasco teu rabo no dente e asso iguá lingüiça de porco pro mode cumê cum bejú e cum mantêga di garrafa. Tu num sabe quem sô eu. Eu sou Luiz Pêdo, vurgo Muderno, cunhado de Lampião, que agora vai guverná os inferno, dispois de guverná o Sertão. Tá cum medo? Óia qui eu sou Luiz Pêdo; rimô, discabruncado, há, há, há...!
Tão chamano eu? Quem, teu chefe? Pru mode di quê? Vô não! Só faço quarqué coisa cum orde do Capitão. Diga a seu Chefe qui ele sô é chefe pruque Nosso Sinhô discansou i num viu ele caí. E a sobra dos capeta de onte eu dô conta hoje. É daqui prá daqui a pôco.
Eu falo in Deus mermo seu cabra. Eu tô aqui pur querença Dele, num foi por ruindade não, apois quando in vida eu fazia mira na testa de um macaco safado eu acertava pruque Deus quiria. Se Ele num quisesse fazia eu errá a pontaria. Certa feita, um cabra di nome Avelino se desacertou cum nóis. Era um macaco mocorongo mitido a violêro qui andô fazendo moda iscuiambano cum cangacêro. Discubrí então qui o disinfeliz tinha mudado di profissão prá iscapá di nóis. Mas vingança de canganceiro é iguá prisão de bucho. Pode demora mais vem e vem fedeno, sortano gáis e avisano que a merda vem atrais. Apois o fela tava tangeno boiada muntado numa mula chamada Araponga. O primêro tiro foi no fiofó da mula qui deu uma upa, dirrubou o condenado e dispois morreu cagano. E o cabra foi isfaquiado e morreu cantano uma música qui era assim –“um dia tangeno boiada, muntado na mula Araponga, vi um anjo violêro incantando, ele mi deu um incanto e eu peguei uma ponga, e de canto em canto é qui eu vivo a cantá...Desci nas carreira nadando no rio e agora navego na beira do mar, relembro de um sonho desceno a marola, de mãozinha em cuia, tocando viola, desci rio abaixo no tombo de Cachoeirinha inté a Pedra Branca, é Itapebi longe catorze légua de Potiraguá, mei dia em pino, não perdeu o ton, nem parou di cantá...”. Dispois repitia tudin, o fi du dêmo; fi di oceis.
Vida de cangaceiro é assim mermo. É corrê prá dento dos quipá, creno na divina pruvidença, nos punhá e na parabelo. É nosso distino. Uns nasci prá trabaiá, ôtros nasce para briga, ôtros vive di intriga, ôtros di niguciá, ôtros vive di inganá, o mundo só presta assim, é um bom ôtro ruim, eu num tein jeito prá dá, e prá cabá di cumpretá, quem tem o mel dá o mel, quem tem o fel dá o fel e quem nada tem nada dá. Agora, seu fi do cabrunco, eu tô cá prá limpá os inferno dos Capeta, dos fedô, das feiura, acabá cum tudo apois o Sertão é sem lugá, e si istica inté os inferno. Cangaceiro é mensageiro do Santo Pai, cum orde de limpá os Sertão. Agora dispois de morto, nóis limpa os inferno, apois assim nóis profia o coração prá ficá inda mais puro qui o capucho do algodão pru mode vê a face Augusta du Qui habita os alto céu, o Piedoso, Manso e Justo, o Fiel, o Compassivo, Sinhô di mortos e vivo, o nosso Pai o nosso Deus, qui avera de vortá, quano essa terra pecadora merguiada in transgressão, tivé cheia di VIOLENÇA, di RAPINA, di MINTIRA e di LADRÃO.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

A balada do homem solitário.

Pense numa informação besta e inútil! O incrível Hulk agora é da "puliça"! Realizou?

Apois, Lou Ferrigno, aquele sujeito bombado e feioso, ator dos bem fuleiros, que fez papel do herói esverdeado num seriado televisivo dos anos 70, aquele mesmo (lembrou?), acaba de ser nomeado xerife reserva pelo Condado de Los Angeles.

Notícia do cabrunco não? Eu curti prá dedéu. Não dá para ficar tão indiferente assim, como eu gostaria, afinal de contas minha geração devorou pacotes e mais pacotes dos "gostosos, deliciosos os biscoitos Tupy, creme crack, chocolate e leite, alegria da garotada; biscoitos Tupy, melhores eu nunca vi, eu nunca vi (essa última frase com voz mais grave)" e sugou latas de leite condensado pelo furinho em frente dos televisores, assistindo o novo xerife dar uns gritos histéricos, todo pintado de verde (até o cabelo) e com a íris dos olhos toda branca, para ficar mais sinistro (ainda lascava várias camisas, o tênis peba também e as calças viravam bermudas).

Depois de décadas, quando eu pensava que o sujeito já tinha empacotado pela quantidade de bombas que deve ter aplicado nos bíceps e adjcências, saber que o cara agora é da lei, é no mínimo curioso.

Fico aqui matutando. Los Angeles, cidade por demais hedonista, já ajudou a eleger um marombeiro profissa (palavra da moda) para governador da Califórnia. Agora outro puxa-ferro famoso, vira xerife. Seria uma tendência? Se for, como nós (antigamente designados como cucarachas), que gostamos sempre de adotar os modelos estadunidenses, com algumas adaptações bastante idiossincráticas, nos posicionaríamos em nossas escolhas aqui na velha e mandingueira Bahia? Quais seriam os nomes que povoam nosso imaginário para ser governador e delegado de polícia, vindo do mundo VIP vatapaico?

Quem pinçaríamos do universo artístico-desportivo baiano, que seria um legítimo representante do nosso "Ó paí ó" way of life? Para governador, eu deixaria quem já está lá, curtindo uma falta de grana típica do baiano periférico. Mas não pode se acostumar com vaia. Já tomou uma no "Dois de Julho", e se tomar outra já é para sair distribuindo! Baiano que é baiano agüenta tudo, menos vaia. Agüenta fila, ficar de rango, buzú lotado, praia cheia (até gosta), cerveja morna, acarajé frio sem camarão. Mas vaia não. Só para ilustrar essa nossa aversão, o finado Senador ACM já até deu bicuda na canela de jornalista, em pleno Clube Baiano de Tênis, por conta de uma vaia estrepitosa a ele dirigida na época. E ainda manifestou dúvidas acerca da honestidade conjugal da projenitora do amofinado repórter. Sem contar com umas tabifas que uma incauta levou do robusto ex-senador, porque achou que poderia se aproximar demais do furibundo enquanto vaiava. Foi um nescau da porra! E tudo ao vivo pela TV. Por aí você tira. Então vaia, nem com a desgraça! É demais para o ego do baiano. Muda isso, tá tudo na boa! Sem grana, com várias desculpas na ponta da língua, aquela maresia na hora de encarar as responsas. É um bom representante do nosso jeito. Sem preconceito.

Na polícia, o buraco é mais embaixo. Policial de maresia é meio de lascar. Tem que pelo menos ter uma cara de gente ruim, desses que na igreja, na hora do pai-nosso, fica olhando para os lados para dar borrachada em quem não está rezando. Pode ser que na prática seja cheiro-mole, mas tem que saber olhar feio e respirar como se estivesse prendendo flatos. Só consigo pensar no mito baiano do desporto, o inexpugnável Reginaldo "Holifield" Andrade, mais conhecido como o "minzeravão" da Bahia. Delegado Holifield, até que soa bem. Durante as batidas, a sirene do carro tocaria o refrão da música "ruma ruma Holifield" (não sei qual é o título dessa bosta). As câmeras do Bocão e de seu Varella a postos, algum fudido folgado tomando broca de todo jeito, e aí é só assistir e se sentir mais em casa.

Inté.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Só para esquentar. Falando do óbvio dito por quem não se espera.

Rapaz, Teixeirão se retou de vez! Lá da Suíça, onde está tentando trazer a Copa do Mundo de 2.014 aqui para o Brasil, soltou o verbo contra, sobretudo, a dupla Pé de Uva e Pancinha. Não considerou nem pai nem mãe. Como dizia no meu tempo de Colégio Antônio Vieira: "chamou o pai de careca e a mãe de cabeluda".
Disse para todo mundo ouvir e divulgar que, na opinião dele (e de quem tem um mínimo de discernimento), o Brasil sifu na Copa de 2006 por causa das constantes bebedeiras dos jogadores, fato que gerou um clima de esbórnia, com boa parte do escrete canarinho chegando entre as 4 e 6 horas da manhã.
O presidente da CBF não levou em conta os dotes do pintor Carlos Alberto Parreira, insinuando que o comandante não era firme, e contra a condição física do atacante Ronaldo também disparou: "Como é que um atleta pode chegar a uma Copa pesando 98 quilos? Eu tenho quase isso e não sou atleta", disse. "Com quantos anos está Ronaldo hoje? Com quantos anos ele estará em 2010? É só isso que tenho a dizer. Temos de encontrar outro Ronaldo", concluiu Teixeira ao jornal. O atacante do Milan terá 33 anos no Mundial da África do Sul.
É meu rei! O cara, para falar isso agora é porque ainda não digeriu o fiasco, mesmo já tendo passado mais de um ano.
Não sou muito fã dele não. Mas não posso censurá-lo. Eu também não digeri ainda 1982, com aquela braga de Toninho Cerezzo e Serginho Chulapa, passados mais de 25 anos. Por questão de coerência, não posso exigir dele que esqueça as mágoas de 2006.
Acho que essa carniça desse futebol é que ainda labuta contra a minha busca pela total indiferença. É phlóoridda (foda com "ph" de "pharmácia", dois "d's" de "toddy" e dois "o's" de "cooperativa"), o cara nos dias de hoje ir a Fonte Nova e dizer que a zaga do Bahia está boa: "não tomou nenhum gol nesta terceirona"! Que auspicioso isso! Bom, mas só de não ter Valdomiro na zaga, não dá para ficar tão indiferente. Rumbora Baêa minha p....! Mas sem fanatismo e nigrinhagem nessa desgraça, vú? Afinal de contas já faz é tempo que a dupla João Marcelo e Claudir se aposentou. Foram os últimos zagueiros do Bahia que rezavam todos os dias o catecismo do zagueiro do Santo Benjor. Como diria Zé Limeira, "e os tempos não voltam mais".
E Pé de Uva e Pancinha que vão pegar uma carona pela TAM que eu também estou com os dois por aqui.
Fui!